Instituto de Pesca realiza pesquisas em biotecnologia que pode viabilizar produção de salmão no Brasil
Secretário
de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Gustavo Junqueira, conheceu as
pesquisas em visita a Campos do Jordão (SP)
Queridinhos
dos apreciadores de comida japonesa, o salmão e a truta são peixes cada vez
mais procurados pela população paulista e brasileira. Classificados como
salmonídeos, originários do hemisfério norte, as duas espécies ocupam parcela
significativa da piscicultura comercial e da pesca esportiva e são objeto de
estudos científicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de
São Paulo, que mantém há mais de 50 anos a Unidade de Pesquisa e
Desenvolvimento de Campos do Jordão do Instituto de Pesca (IP-APTA), referência
no Brasil e exterior em pesquisas com salmonídeos.
Criada
em 1964 para promover o desenvolvimento da truticultura nas regiões serranas do
Sudeste brasileiro, a Unidade de Pesquisa se mantém na vanguarda, na fronteira
do conhecimento, ao desenvolver projetos de pesquisa na área de biotecnologia,
que permitiu resultado inédito que pode viabilizar a produção de salmão do
Atlântico em águas brasileiras, por meio de processo de aceleração da
reprodução do peixe.
Os projetos foram conhecidos de perto pelo secretário de
Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, que
visitou a Unidade em 20 de julho, acompanhado pelo diretor do Instituto de
Pesca, Vander Bruno dos Santos. Durante a visita, Junqueira conheceu as
instalações da Unidade e acompanhou todo o processo de desova, incubação e
alevinagem dos peixes. O secretário visitou ainda a Truticultura Ecoparque
Pesca e Montanha, parceira do Instituto.
Biotecnologia:
Barriga de Aluguel
Pesquisa inédita do Instituto de Pesca possibilitou a geração de alevinos de salmão do Atlântico em dois anos – enquanto naturalmente são necessários quatro anos para a reprodução do peixe. A celeridade do processo está na utilização da truta arco-íris como barriga de aluguel para produção do salmão.
Com
a técnica, é possível acelerar o processo de melhoramento genético do salmão do
Atlântico em até metade do tempo que seria necessário, levando em conta os
métodos tradicionais. O estudo foi liderado pelo cientista do programa Jovem
Pesquisador em Centros Emergentes da FAPESP, Ricardo Hattori, que desenvolveu a
pesquisa no IP entre 2015 e 2019.
A
dificuldade de se produzir salmão no Brasil está na temperatura das águas dos
rios. A pesquisadora Yara Aiko Tabata explica que os salmonídeos, que englobam
os salmões e trutas, existentes no País são do tipo landlocked, ou seja, que
fazem o ciclo de vida completo em água doce. No caso da truta, o seu cultivo é
mais difundido no Brasil, pois ela já se encontra aclimatada e apresenta bons
índices reprodutivos em águas com temperatura de 10º a 12ºC. Já o salmão do
Atlântico requer temperaturas mais baixas, ao redor de 8ºC.
“Se
esta limitação é tida como um entrave para seu desenvolvimento, por outro lado,
o fato de não encontrar em nossas águas temperaturas compatíveis para sua
reprodução natural pode ser considerado uma condição interessante para que esta
espécie venha a ser empregada como uma alternativa na pesca recreativa, sem
riscos para o meio ambiente em caso de eventuais escapes”, explica Yara.
Segundo
os pesquisadores, para realizar o melhoramento genético das espécies são
necessárias várias gerações. Considerando um processo de melhoramento de três
gerações, como o salmão leva cerca de quatro anos para atingir a idade
reprodutiva, este processo levaria no mínimo 12 anos. Com a barriga de aluguel,
é possível encurtar esse período pela metade.
Os
resultados dos estudos foram publicados na revista científica Aquaculture, de
relevância internacional. Outro estudo liderado por Hattori sobre linhagens de
truta azul foi publicado neste ano na renomada revista científica Plos One.
Tecnologias
paulistas em todas as regiões produtoras de truta do Brasil
A Unidade do Instituto de Pesca (IP), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), atua na geração e difusão de tecnologias voltadas para a melhoria da qualidade da truta e a diversificação de produtos de valor agregado. Suas pesquisas e resultados podem ser vistos em todas as regiões produtoras de truta do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná.
nualmente,
a unidade de pesquisa transfere ovos de truta para 50 produtores,
aproximadamente, atendendo 10% da demanda nacional por ovos. Mais de um milhão
de ovos são disponibilizados por ano, que são usados para melhorar a qualidade
de 210 toneladas de truta produzidas no Brasil.
Entre
resultados de pesquisa marcantes está a reversão sexual da truta para produção
de lotes 100% fêmeas, aumentando a produtividade ao eliminar os machos sexualmente
precoces e a triploidização, que consiste na manipulação cromossômica para a
produção de lotes de peixes estéreis a fim de aumentar a produtividade por meio
da eliminação da atividade reprodutiva, obtendo trutas de grande porte, com
filés altos.
A truticultura
brasileira é formada por pequenos produtores, por isso, uma forma de aumentar a
renda desses profissionais é o uso de tecnologias que agreguem valor à
produção.
Uma
grande contribuição do IP neste sentido foi a viabilização no Brasil da técnica
de salmonização da truta, ou seja, o processo de pigmentação da carne com
caroteinoide adicionado à ração, deixando a carne do peixe em tom rosa,
característica que agrada aos consumidores. Outro resultado foi o
desenvolvimento do “caviar de truta”, um produto de grande aceitação na alta
gastronomia.
Fonte : Secretaria
de Agricultura e Abastecimento de SP
Jorge Meneses
Biólogo - Consultoria para pisciculturas e pesqueiros.
( 11 ) 998116744 ( vivo e whatsapp )
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