Manejo dos peixes no final do inverno e início da primavera


Estamos no final do período mais frio do ano no Sul e Sudeste do Brasil.
As  temperaturas baixas que estão ocorrendo há alguns meses diminuíram o metabolismo dos peixes .
Durante esse tempo eles alimentaram-se muito menos do que nas épocas mais quentes do ano.
Além disso,  a escassez de água devido à falta de chuvas e diminuição da vazão das nascentes aumentou  a quantidade de nutrientes, plâncton e resíduos nos lagos dos pesqueiros e nos tanques e viveiros  de cultivo, o que  favoreceu  a multiplicação de  organismos causadores de enfermidades .
A falta da adequada renovação de água  diminuiu a concentração de oxigênio dissolvido.
A alta concentração de amônia ,  de nitrito e de gases nocivos em geral, diminuiu ainda mais a condição e a saúde dos peixes, já agravada pelo frio.
Com  o sistema imunológico debilitado, os peixes tornaram-se   mais sensíveis  às doenças e mortalidade.
Resumindo : OS PEIXES AINDA ESTÃO FRACOS
O momento demanda cautela por parte dos produtores, transportadores de peixes vivos e proprietários de pesqueiros.
Com o aumento  da temperatura neste  final do inverno e início da primavera  os piscicultores intensificam  o manejo dos peixes  com despescas, transferências, realizando  a triagem dos reprodutores para o acasalamento ou procedendo à separação  e estocagem dos peixes “ gordos” para comercialização principalmente para os pesqueiros.
Como os peixes estão com o sistema de defesa debilitado e qualquer manuseio acarreta estresse, o manejo  deverá  ser realizado com muito cuidado.
As infecções por  bactérias, fungos e vírus são comuns em algumas espécies nessa época do ano.
Recomendamos algumas medidas profiláticas durante a transferência dos peixes para outros tanques  ou viveiros para diminuir a possibilidade das enfermidades acima citadas :

1 – Adição de 3 a 5  kg de sal em cada 1.000 litros de água nos recipientes de manejo

2 -  Efetuar banhos profiláticos com permanganato de potássio  : dosagem : 5 gramas para cada 1.000 litros de água por 30 minutos.

3 – Fornecer ração de alta qualidade  por cerca de  4 semanas antes do manuseio para  melhorar resistência e aumentar  a sobrevivência dos peixes durante e após o transporte.

Os piscicultores que fornecem   tilápias, peixes redondos e outras espécies tropicais para pesque-pagues não devem  precipitar-se  e despescar seus estoques logo nos primeiros sinais de elevação dos termômetros  neste final de inverno .
Recomenda-se iniciar o manejo apenas após as temperaturas da água terem se mantido por um período de pelo menos 30 dias acima de  22 graus Celsius com os peixes bem alimentados e mais fortes. 
Com isso, os peixes recuperam o sistema imunológico e toleram melhor o manejo da despesca, transporte e soltura nos lagos de pesca ou nos novos tanques de cultivo.


Jorge Meneses - Biólogo - Consultoria para pisciculturas e pesqueiros.  
Contato : ( 11 ) 998116744 ( vivo e whatsapp )


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