Ferramentas genômicas ajudarão a evitar cruzamentos consanguíneos entre matrizes de tambaqui
A partir do dia 4 de setembro,
criadores brasileiros de tambaqui (Colossoma macropomum) contarão com um
serviço técnico para saber se suas matrizes são puras ou híbridas (fruto de
cruzamento com outra espécie) e se possuem algum grau de parentesco entre si.
Essas informações são importantes para o bom desempenho técnico da criação e
serão geradas por meio de ferramentas genômicas desenvolvidas pela Embrapa.
Para acessar o serviço, oferecido
inicialmente de forma restrita, o piscicultor deverá entrar em contato com a
Embrapa, pelo e-mail alexandre.caetano@embrapa.br,
e iniciar o processo de contratação do serviço por meio de carta-proposta. Os
reprodutores e as matrizes a serem analisados devem estar identificados
individualmente com chip eletrônico e ter parte da nadadeira coletada segundo procedimentos técnicos pré-estabelecidos (veja cartilha). Após a assinatura do contrato, o material será
remetido à Embrapa, que fará as análises e devolverá ao produtor uma planilha
com informações sobre o grau de parentesco entre os animais e de pureza de cada
um, além de orientações para uso das informações.
“Cada piscicultor poderá
enviar até 48 amostras de, preferencialmente, peixes reprodutores. Os
resultados serão úteis para orientar acasalamentos e assim evitar perdas na
alevinagem e o nascimento de animais com deformações e baixo desempenho produtivo
na engorda”, explica o pesquisador da Embrapa
Recursos Genéticos e Biotecnologia Alexandre Caetano. O serviço de análise de amostras para
pureza e parentesco será ofertado em escala restrita e com valores reduzidos,
ao custo de R$ 120,00 por amostra. A contratação se dará por tipo de serviço:
uma para detectar a pureza específica (R$ 60,00); e outro contrato destinado ao
serviço de identificar as relações de parentesco (pedigree) das matrizes (R$
60,00.
A importância do controle genealógico
O cientista conta que o controle
de pedigree é um dos principais desafios enfrentados hoje pelos criadores de
tambaqui no Brasil. O cruzamento entre parentes próximos (meios-irmãos, irmãos
ou primos) pode causar perdas de até 25% dos alevinos, e de até 30% na produção
dos sobreviventes, na fase da engorda. Ele revela que esse foi o desafio que
levou a Embrapa a desenvolver ferramentas genômicas de ponta para análise e
certificação de parentesco e pureza da espécie.
“Devido à falta de boas
ferramentas e processos adequados para o controle genealógico de reprodutores,
os produtores de alevinos podem frequentemente efetuar acasalamentos entre
peixes aparentados e, consequentemente, gerar animais com deformações e baixo
desempenho produtivo”, explica Caetano.
Por não associar os cruzamentos
endogâmicos (de animais aparentados) aos problemas de falta de ganho de peso
durante a fase da engorda, muitas vezes os produtores recorrem a suplementações
nutricionais e alimentares. Dessa maneira, além de aumentar os custos de
produção, correm o risco de sofrer perdas adicionais pela introdução de novas
variáveis no ciclo produtivo.
“Muitas vezes o produtor nem está
ciente do prejuízo que sofre com a falta de desempenho produtivo dos alevinos
gerados com cruzamentos de matrizes aparentadas. Essa tecnologia inovadora
ajudará o piscicultor a escolher as matrizes de forma precisa e rápida, a um
custo acessível”, explica o pesquisador da Embrapa
Informática Agropecuária (SP) Michel Yamagishi. “Com isso, os piscicultores terão condições
de manter e até expandir sua produção, com uma redução significativa nas
despesas”, analisa
A nova metodologia da Embrapa
também vai contribuir para programas de melhoramento genético e conservação da
espécie. “O uso dessas ferramentas genômicas que identificam parentesco e
pureza dos reprodutores de tambaqui contribuem para o cumprimento do passo
inicial da formação da população-base de tambaqui proposta no projeto BRSAqua”,
destaca Luciana Shiotsuki, pesquisadora da Embrapa Pesca
e Aquicultura (TO).
Após a identificação do
parentesco, o passo seguinte é elaborar estratégias para o enriquecimento do
plantel ou direcionamento de acasalamentos, evitando cruzamentos consanguíneos
entre os reprodutores. “Com os acasalamentos orientados será possível
selecionar os melhores indivíduos em função de seu desempenho zootécnico, como
velocidade de crescimento em diferentes tipos de ambiente (viveiros escavados
ou tanque-rede), medidas morfométricas, resistências a algum tipo de doença,
etc.”, explica a cientista.
Esses requisitos são fundamentais
para aumentar a produtividade do tambaqui, o peixe nativo mais produzido no
Brasil segundo o Anuário da Piscicultura 2019, da Associação Brasileira da
Piscicultura (Peixe BR).
As ferramentas são fruto das
informações obtidas com o sequenciamento do genoma do tambaqui realizado pela Embrapa em 2017, no qual foram
identificados milhões de marcadores genômicos denominados SNPs. Essa
identificação foi realizada pelo Laboratório Multiusuário de Bioinformática
(LMB), da Embrapa. As informações foram utilizadas pela equipe de pesquisa para
criar dois chips de DNA para a realização de testes diagnósticos de grau de parentesco
e pureza específica.
Fonte : https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/46203188/ferramentas-genomicas-vao-ajudar-a-evitar-cruzamentos-consanguineos-entre-matrizes-de-tambaqui?link=agencia
Jorge Meneses - Biólogo - Consultoria para pisciculturas e pesqueiros.
Contato : ( 11 ) 998116744 ( vivo e whatsapp )
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